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Erro de auditor "destruiu" o Superior Bank, diz executivo
Valor Online
Por Jef Feeley e Susannah Nesmith, Bloomberg, de Wilmington
Auditores da Ernst & Young asseguraram a executivos do Superior Bank que a instituição estava financeiramente sólida até pouco antes de admitirem a autoridades reguladoras que haviam assinado, equivocadamente, demonstrações financeiros infladas, segundo um ex-diretor do banco.
A Ernst & Young admitiu em janeiro de 2001 que seus auditores haviam contabilizado de forma equivocada o valor de empréstimos e que isso obrigaria o banco a revisar o valor de ativos, segundo afirmou Nelson Stephenson, ex-presidente do conselho de administração do Superior Bank, a jurados, na quarta-feira, em tribunal na Flórida. Um antigo executivo do banco processa a Ernst & Young por fraude e imperícia.
"Sabia que minha credibilidade e a credibilidade do banco estavam sendo demolidas como resultado do erro da Ernst & Young", testemunhou Stephenson, 57 anos, no tribunal estadual, em Fort Lauderdale.
A Ernst & Young LLP, de Nova York, que atuou como firma de auditoria externa do Superior Bank por dez anos, falhou ao não detectar os problemas que culminaram com o confisco da instituição pelas autoridades federais, de acordo com os advogados de Alan Schein, ex-executivo do banco que processa a empresa. Schein sustenta que confiou nos auditores da Ernst & Young quando vendeu uma empresa de negociação de hipotecas para o Superior Bank antes de se juntar ao banco, em 1998.
Charlie Perkins, porta-voz da Ernst & Young, disse em comunicado que a firma não comentaria o testemunho de Stephenson.
A firma de contabilidade e auditoria, que ajudou o Superior Bank a ser um dos pioneiros no "empacotamento" de hipotecas como forma de investimento, deve ao ex-executivo pelo menos US$ 200 milhões em indenizações por seus erros, segundo disseram seus advogados aos jurados.
A Federal Deposit Insurance Corp. (FDIC), agência do governo dos EUA que garante depósitos bancários, assumiu o banco em julho de 2001, depois de os prejuízos do Superior Bank esgotarem suas reservas de capital. Essas perdas estavam relacionadas a hipotecas de alto risco, de acordo com representantes da FDIC. O banco fez uso de contabilidade e registros inadequados, acrescentaram.
As dúvidas sobre os "ativos lastreados por hipotecas" (MBS, na sigla em inglês) levaram à implosão do mercado imobiliário dos Estados Unidos em 2008 e contribuíram para as quebras de algumas das maiores firmas financeiras do país, como o Lehman Brothers Holdings e o Washington Mutual.
A Ernst & Young pagou US$ 125 milhões para chegar a acordo com as autoridades reguladoras sobre sua auditoria dos livros do Superior Bank.
Em dezembro de 2001, os donos do Superior Bank, incluindo membros da família Pritzker, concordaram em pagar ao governo US$ 460 milhões pelo colapso do banco. Entre os negócios dos Pritzker está a rede de hotéis Hyatt.
Penny Pritzker, que ajudou a supervisionar a arrecadação de fundos para a campanha presidencial de Barack Obama, foi a presidente do conselho do banco até 1994, de acordo com os registros judiciais.
Stephenson, que assumiu como presidente do conselho em 1995, testemunhou que sempre se sentiu confortável com a estabilidade financeira do banco por conta da aprovação da contabilidade do banco pela Ernst & Young.
"Não tínhamos razão para acreditar que alguém na Ernst & Young produziria nada além de um parecer preciso", afirmou.
Depois de tomar conhecimento do erro dos auditores, Stephenson disse ter decidido pela renúncia e o fim de sua carreira de 20 anos no setor bancário.
A reunião com os auditores sobre o erro contábil no Superior Bank, em janeiro de 2001, "mudou minha vida", disse Stephenson, que atualmente trabalha como consultor financeiro.
Jack Scarola, advogado de Schein, perguntou se Stephenson sabia que alguns auditores da Ernst & Young haviam se recusado a assinar as auditorias do Superior Bank, pelo menos desde 1998. "Você está descrevendo uma circunstância que, como profissional, julgaria inconcebível", afirmou.
Os advogados de Schein sustentam que a Ernst & Young encobriu o erro porque temia que sua revelação interferisse na venda da unidade de consultoria empresarial da empresa, por US$ 11 bilhões, para a francesa Cap Gemini.
Foi apenas depois de a FDIC começar a investigar as operações do banco em 2000 que os auditores reconheceram que podiam ter errado na determinação de valores de algumas hipotecas "subprime", argumenta Schein. A reavaliação desses empréstimos levou a uma baixa contábil de US$ 420 milhões e ao confisco pela FDIC, segundo sustenta Schein.
Quando entrou no Superior Bank, em 1988, Schein disse que lhe deram o direito de requerer a venda da unidade de hipotecas e dividir o dinheiro entre ele e o banco. Schein não tentou exercer essa opção até a Ernst & Young admitir os erros na auditoria, testemunhou o ex-executivo. A ideia foi rejeitada pela FDIC, que assumiu o controle do banco.
Durante os interrogatórios, Barry Richard, um dos advogados da Ernst & Young, questionou o valor da empresa de hipotecas de Schein vendida ao Superior Bank. O negócio oferecia empréstimos exigindo nos primeiros anos apenas o pagamento de juros. "O banco estaria sofrendo um prejuízo terrível" com tais empréstimos, destacou Richard. Schein negou que a empresa criasse hipotecas fajutas.








Rss